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Tenho impressão de que tudo que fiz até hoje foi para chegar até você.

É tão legal quando depois de ler um livro e conferir a sua versão cinematográfica, perceber que ambas se completam. Foi isso que aconteceu com ‘As Pontes de Madison’. Meryl Streep e Clint Eastwood se encaixaram perfeitamente nos papéis de Francesca e Robert, e juntamente com o enredo envolvente fizeram deste um grande filme.

Você nunca imagina que um amor assim possa acontecer com você.

O fotojornalista Robert Kincaid é um ‘cidadão do mundo’, eternamente com pé na estrada devido a seu trabalho para a National Geographic. Numa dessas viagens, onde fotografaria as pontes cobertas em Madison, Iowa, ele conhece Francesca. Mulher casada, mãe de dois filhos adolescentes e fazendeira, ela vive em prol do bem estar de sua família, sem ser devidamente reconhecida. Quando Robert para pedir informações a Francesca sobre as pontes, ela estava sozinha em casa, porque seus filhos e marido tinham viajado para uma feira. Ela decide ir junto com Robert até a ponte Roseman, para lhe indicar o caminho. A partir desse momento nasce um romance que não estava nos planos de nenhum dos dois. Eles vivem quatro dias intensos, de um amor que parecia ser de longa data.

Percebi que o amor não segue expectativas. Seu mistério é puro e absoluto.

Somente após a morte de Francesca é que seus filhos descobrem que ela viveu esse romance, lendo os diários que a mãe deixou. Esse relacionamento maduro os leva a questionar a situação em que se encontram seus próprios casamentos.

Os velhos sonhos eram bons sonhos. Não se realizaram, mas foi bom tê-los.

Francesca e Robert citam, tanto no livro quanto no filme, pedaços de um poema de William Butler Yeats. Decidi finalizar o post com o poema completo:

A Canção Delirante de Aengus (1899)

Eu fui para uma floresta de nogueiras,

Porque minha mente estava inquieta,

Eu colhi e limpei algumas nozes,

E apanhei uma cereja, curvando o seu fino ramo;

E, quando as claras mariposas estavam voando,

Parecendo pequenas estrelas, flutuando erráticas,

Eu lancei framboesas, como gotas, em um riacho

E capturei uma pequena truta prateada.

Quando eu a coloquei no chão

E fui soprar para reativar as chamas,

Alguma coisa moveu-se e eu pude ouvir,

E, alguém me chamou pelo meu nome:

Apareceu-me uma jovem, brilhando suavemente

Com flores de maçãs nos cabelos

Ela me chamou pelo meu nome e correu

E desapareceu no ar, como um brilho mais forte.

Talvez eu esteja cansado de vagar em meus caminhos

Por tantas terras cheias de cavernas e colinas,

Eu vou encontrar o lugar para onde ela se foi,

E beijar seus lábios e segurar suas mãos;

Caminharemos entre coloridas folhagens,

E ficaremos juntos até o tempo do fim do tempo, colhendo

As prateadas maçãs da lua,

As douradas maçãs do sol.